31 de maio de 2015

No ar, a edição de de MAIO do jornal Algo a Dizer

Já está no ar a edição de MAIO do jornal de Cultura e Política Algo a Dizer, com o seguinte conteúdo:
1- Vídeo no YouTube (parte 1 e parte 2) do debate O PT visto de fora: as esquerdas e o 5º Congresso do PT, realizado dia 25/5/2015 no Teatro Casa Grande.

Na foto, da direita para a esquerda: Milton Temer, jornalista e político do PSOL (fazendo uso da palavra); Mauro Iasi, da direção nacional do PCB; Darlan Montenegro (substituindo Ricardo Gebrim que, por motivos profissionais não pode comparecer), da Consulta Popular; e Pedro Celestino, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos - IBEP.

A mediação foi de Marcelo Barbosa (ao centro da foto, entre os palestrantes), diretor-coordenador do Instituto Casa Grande – IGC, que substituía Saturnino Braga, presidente do ICG;

Um público interessado e participante lotou o foyer do Teatro Casa Grande, no Rio

2- Texto de Marcelo Barbosa, O moderno e o PT: uma avaliação crítica das principais tendências internas do partido.

Trata-se de uma contribuição ao debate das forças democráticas e progressistas, em especial às vésperas do 5º Congresso do PT, marcado para os dias 11 a 13 de junho de 2015. Pois, além de ser Governo, o PT é o maior partido de esquerda da América Latina.

[Esse texto também publicado no site da Agência PT de notícias e no Blog dos desenvolvimentistas];

3- O curto ensaio crítico de Guido Bilharinho sobre o clássico filme A idade da Terra, de Glauber Rocha;

4- A resenha de Adriane Garcia ao premiado livro Associação Robert Walser para sósias anônimos, do aclamado escritor pernambucano Tadeu Sarmento;

5- A bela crônica Olhos de manhãs, no “Cotidiano” de Maria Balé;

6- A crônica metafísica-existencial de Adilson Pires Gonçalves Quando a morte estende a mão;

7- Na crônica As quatro estações em torno do amor, Alexandre Brandão fala de uma percepção pessoal desse sublime sentimento;

8- A crônica – cujo título diz tudo – O poder de um sorriso, de Cinthya Nunes;

9- O sutil humor de Leonel Prata na crônica Minhocas;

10- A crônica – para ser lida com o olho esquerdo – de Sérgio Antunes O cientista e o poeta;

11- O forte poema de Antonio Barreto A ira da retórica;

12- O soneto de Luca Barbabianca, Teorema, baseado em uma apreciação teórico-poética de um texto acadêmico;

13- A sempre instigante – e, por vezes, sufocante – escrita de Viviam Pizzinga no conto Girls just wanna have fun.A propósito, Vivian vai lançar seu novo livro A primavera entra pelos pés nesta quarta (10/6), às 19h, na livraria Oito e Meio (Travessa dos Tamoios, 32 – Flamengo – Rio). Veja o evento no Faceboook;

14- O ensaio de Carlos Russo Jr Sade, avalia a trajetória do célebre marquês, cotejando-a com sua época e com a em que vivemos.

Um abraço e boa leitura

Kadu Machado

(21) 99212-3103

27 de maio de 2015

O Moderno e o PT

Por Marcelo Barbosa

Após o êxito de seus governos, o PT precisa oferecer um projeto de nação ao país. Caso não consiga, a legenda poderá cumprir a paráfrase de Lévis-Strauss, passando à decadência antes de atingir o apogeu

Concebido em aberta ruptura com a esquerda de tradicional implantação ao fim da década de 1970 – leia-se comunistas e trabalhistas – o PT nasceu de costas para o Estado e de frente para a sociedade civil. As questões capazes de mobilizar a legenda de Lula poucas vezes coincidiram com aquelas formuladas pelas agremiações conduzidas então por personalidades como Prestes, João Amazonas ou ainda Brizola. Com isso, toda uma rica agenda de lutas anterior ao marco da eclosão do ciclo das greves do ABC paulista, a partir de 1979, derivou para um papel secundário. Guardada no baú das relíquias, a questão nacional, sobretudo o papel do Estado no combate aos vários níveis de subdesenvolvimento do país, cedeu protagonismo ao avanço de uma pauta democrática essencialmente compreendida como cidadania econômica: aumento de salário, acesso a terra, direito a moradia, entre outros itens afins. A idéia de construir o moderno com base no rompimento com as formas de dependência de nossa periferia à dominação dos países centrais, pedra de toque das concepções de construção do moderno da velha esquerda, encontrou pouco eco no interior do petismo.


Para o chamado PT das origens, nenhum sentido podia ser extraído da indagação acerca da busca do moderno em uma sociedade de extrema concentração de renda, cuja passagem para o capitalismo monopolista de Estado demandara a instalação de uma ditadura civil-militar, em 1964. Perseguindo essa ótica, empréstimo ao pensamento uspiano – de Florestan Fernandes a Chico de Oliveira, entre muitos outros – o Novo e Velho apareciam perfeitamente fundidos e entrosados na paisagem social brasileira. Eram molares da mesma engrenagem. No caso brasileiro, a obtenção do posto de 6ª economia mundial surgira sem a necessidade de ajustar contas com as instituições pré-capitalistas existentes, aí incluído o latifúndio. Em outras palavras, o moderno já predominava em nossas relações sociais a reboque das tendências à urbanização e industrialização. E mais. O desenvolvimento capitalista deflagrado nesse processo tornara mais agudas as desigualdades de classe, região e renda, em todo território nacional. Conclusão: o tempo para a conquista de objetivos intermediários como as reformas de base se esgotara. A luta pela conquista do socialismo vibrava na ordem do dia.


A projeção dos pais fundadores do PT previa atitudes como o repúdio às alianças com o chamado centro político, estando interditada, ainda, a possibilidade de apoio a qualquer coalizão de natureza pluriclassista. A esquerda social caminharia antes só que mal acompanhada. De preferência, exaltando os valores da democracia de base, da nitidez ideológica e da crítica à trajetória republicana brasileira. Ação política? A única legítima consistiria na intervenção de baixo para cima, por meio dos instrumentos da vida associativa, a exemplo dos sindicatos e das Comunidades Eclesiais. Mais revolucionário na retórica que na prática, essa modalidade de petismo das origens deu forma a um grupo de práticas voltadas para a exaltação ao chamado “poder local”, procedimento de evasão à real disputa do poder, mas que permitiu o acúmulo de forças da legenda nas conjunturas de grande instabilidade verificadas durante os primeiros anos do processo de redemocratização.


Os saudosistas do modelo de militância partidária presente na infância da atuação do PT defendem com ardor a atitude empreendida pela legenda naqueles anos de formação. Por óbvio, promovem comparações. Com alguma procedência, apontam o processo pelo qual o petismo se manteve unido e em crescimento ao longo das décadas de 1980 e 1990, ao mesmo tempo em que a esquerda tradicional caminhava para a divisão e a perda de prestígio. O problema desse argumento, no fundamental correto, reside na sua insuficiência: se o PT encarnasse apenas a crítica aos contingentes da esquerda que o precederam, nem de longe poderia cumprir um papel de destaque na vida pública brasileira. Ou seja, já em seus primeiros anos, vicejavam no terreno da cultura política do PT as sementes de uma visão mais assente à complexidade de uma sociedade de traços contraditórios como a nossa.


Personagem de sua própria história, o PT fez coexistir em seu projeto inúmeras identidades*. Algumas dessas caracterizações, com vida curta. Outras vieram para ficar e firmaram-se no acervo de experiências empreendidas pelo partido. Entre essas florações, uma classe de propostas que, diferindo da primeira das constelações teóricas formuladas pela agremiação, exibia algum grau de diálogo com a questão proposta ao início deste texto. Por esse ângulo, construir o moderno requeria o enfrentamento das oligarquias patrimonialistas, o estamento parasitário responsável pelo atraso e a desigualdade de nossa formação social, presente desde o período colonial. Em tal narrativa, o ponto de equilíbrio da atuação da esquerda devia se deslocar para o combate à corrupção. Impunha-se, nessa ótica, atacar o método pelo qual as elites decadentes se apropriavam – e se apropriam – das funções do Estado para reproduzir seus interesses particulares, entravando assim o acesso ao poder das camadas comprometidas com a democratização da vida pública, tais como o proletariado moderno e o empresariado produtivo.


Com vistas a demarcar suas posições, esses setores do petismo buscaram distinguir seus pontos de vista da parcela moralista e influenciada pela mídia monopolista. Com acerto, preferiam não ser confundidos com o fenômeno tratado pela ciência política brasileira pela designação de “udenismo”. Não à toa, adotaram a defesa de uma pauta liberal no que refere aos costumes, com ênfase na liberação das drogas ou ainda, a titulo de ilustração, a defesa da descriminalização do aborto – nada obstante uma certa presença de militantes católicos nestas correntes de opinião. Mantendo a coerência, jamais esconderam a sua solidariedade às chamadas “minorias” que, na realidade, conformam grandes maiorias no vasto mosaico das relações sociais presentes no país: mulheres, negros, grupos LGBT, índios, ambientalistas, quilombolas, entre outros.


Plural como as próprias camadas médias donde retira força, esse segmento do petismo, de igual maneira, nos últimos anos, cresceu a ponto de espalhar sua influência para a fora da legenda da estrela, fecundando o debate entre áreas do PSOL e da Rede Sustentabilidade, da senadora Marina Silva. Até mesmo no interior do governo Dilma tais tendências assumiram papel de destaque na produção de ideias: a mais influente entre muitas, a denúncia da “governabilidade” baseada no pacto PT-PMDB, fonte de paralisia (sic) e renúncia ao enfrentamento com os setores ditos conservadores do patronato político brasileiro. Fortemente vinculado à política, a prática desses agrupamentos pouco freqüenta o tema econômico. De uma maneira geral, pouco tem a dizer, por fora da abstração de princípio, sobre a contradição que cinde a qualquer sociedade capitalista: o antagonismo entre capital e trabalho.


Por fim, esse inventário, bastante ligeiro, por sinal, das respostas oferecidas pelo PT sobre o tema da construção do moderno, não deve omitir a referência a um terceiro quadro de referências. Fenômeno recente, tal posição conta pouco mais de uma década. Sua principal atitude se enuncia na busca pela recuperação (seletiva) de alguns de elementos da cultura política anterior à fundação do partido de Lula. Sem renegar as respostas fornecidas pelo PT das origens – repita-se a afirmação da identidade socialista, para uns ou a denúncia do patrimonialismo, para outros – essa nova síntese supõe: forçar a passagem ao moderno implica resolver a questão social. Cumpre, assim, impulsionar a unidade e a capacidade de mobilização das forças comprometidas com a luta pela erradicação da desigualdade no país, marca constitutiva do atraso de nossa formação social desde sempre. Inspirado no pensamento de autores como Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Nelson Werneck Sodré e Ignácio Rangel, entre outros, mas ao mesmo tempo incorporando contribuições atuais como as de Conceição Tavares e Theotonio dos Santos, apenas para citar dois autores em atividade, esse reforço de ideias à matriz original petista, pelo que tudo indica, tem por objetivo o aprofundamento contínuo dos espaços de democracia política na sociedade. Mas, não apenas isso.


Trata-se, igualmente, de transformar o atual caráter das instituições de Estado, colocando-as a serviço dos objetivos de um projeto de nação capaz de garantir a todos os brasileiros o exercício dos direitos e garantias individuais e, sobretudo coletivos, em boa parte previstos no texto da Constituição da República, de 1988. Caminho brasileiro para o socialismo, a implantação desse projeto nacional, de natureza não autárquica – porque aberto à integração com a América Latina e África – impõe, no caso do PT, o manejo de três ferramentas: um frente de centro-esquerda, um programa de reformas estruturais e uma estrutura partidária democrática e transparente.


(*) As reconstituições do debate de ideias no interior do PT, nos termos propostos neste texto, atêm-se a linhas gerais. Limitam o escopo da questão a um só tema: as estratégias de combate ao atraso estrutural do país. Outros tópicos geraram diferentes tipos de clivagem, conforme o caso das controvérsias acerca das formas de construção partidária, só para citar um dos contenciosos mais polêmicos. Por certo, outras sensibilidades em relação ao moderno existiram – e persistem existindo – no interior da agremiação. Sendo certo, ainda, que há contingentes na estrutura partidária completamente alheios a este tipo de problema teórico. Para estas áreas – presentes, em maior ou menor grau, em todas as tendências partidárias – trata-se apenas de reproduzir a presença da legenda como máquina arrecadadora de votos. Os impasses verificados pelo anseio de definição de uma cultura política adequada não tiram o sono desse tipo de militância já há muito perpassada pela deformidade burocrática.
 

Marcelo Barbosa é advogado, doutor em Literatura Comparada pela UERJ e diretor-coordenador do Instituto Casa Grande

3 de maio de 2015

No ar, a edição de ABRIL do Algo a Dizer


Já está no ar a edição de ABRIL do jornal de Cultura e Política Algo a Dizer com o seguinte conteúdo:
1- Violência e desinformação, instrumentos do fascismo – análise das formações discursivas das últimas manifestações contra o governo, por Maria Luiza Franco Busse;

2- Lembrança dos 72 anos do heroico Levante do Gueto de Warsóvia, cuja lição de unidade interna na luta pode – e deve – servir de exemplo aos nossos dias;

3- O legado de Giovanni Berlinguer: saúde e democracia como valores universais, bela e necessária homenagem de Nísia Trindade ao grande humanista – sanitarista, senador e comunista – italiano;

4- Os quatro rapazes de Liverpool, crônica de amor e reveverência beatlemaníacos, de Adilson Luiz Gonçalves;

5- Resenha sobre Cartoondelia (Editora Oito e Meio, RJ), coletânea de quadrinhos de Johandson Resende, por Vivian Pizzinga;


7- A discípula de Afrodite, a ternura no texto “Cotidiano”, de Maria Balé,

8- Na crônica de Alexandre Brandão, A vergonha coletiva, a crítica contundente à redução da maioridade penal;

9- Lágrimas minhas, delicada crônica de Cinthya Nunes;

10- As Dúvidas…, no texto bem-humorado de Leonel Prata;

11- Duas mexericas, uma reflexão de Sérgio Antunes sobre o que mantém o homem vivo;

12- GataDo inominávelPoros para dentro, três exemplos da poesia de Adriane Garcia;

13- Com Conversa, Valéria Lopes em seu diálogo com o infinito;

14- Os sempre agudos sonetos de Luca Barbabianca. Dessa vez, Cronologia da tristeza;

15- Ensaio de Marcelo Barbosa, O nacionalismo do ISEB, analisa essa importante agência paraestatal criada durante o governo de Juscelino Kubitschek.

Vinculada ao Ministério da Educação tinha o objetivo de promover o estudo, o ensino e a divulgação das ciências sociais com o fim de aplicar suas categorias e métodos à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira.


Esse livro é a publicação de sua tese de doutorado, onde procura mostrar que a formação do Brasil-nação acompanhou e expressou a formação e o desenvolvimento do país concreto.

Leiam, também, a entrevista que fizemos com o Marcelo quando do lançamento do livro, ano passado.


Um abraço e boa leitura

Kadu Machado

(21) 99212-3103

23 de abril de 2015

E o mundo não acabou


Como toda a opinião pública progressista, assisti consternado, ontem (22/4), a votação do PL 4330.

Mas creio que a nossa consternação não deve ceder lugar à paralisia. O triste episódio de ontem indica um enredo longe de conclusão. Ainda é possível barrar a regressão social proporcionada pelas propostas de tornar precárias as relações de trabalho. O relativamente apertado placar da votação na câmara – 230 a 202 – indica isso.

Contudo, uma vitória dos setores comprometidos com a democracia e a justiça social exige o aumento da mobilização. E, nesse sentido, principalmente o sindicalismo e os movimentos sociais podem fazer muito mais do que têm feito.
É de se entender as dificuldades de arregimentação das entidades representativas e dos coletivos da cidadania à esquerda: nosso governo, como querem os seus críticos, jogou na “despolitização da sociedade”.

Mesmo assim, não parece a hora de travar esse necessário debate.

Vivemos o aceso de uma luta decisiva. O senado já manifestou sua intenção de rejeitar a terceirização. Só peso do povo na rua poderá equilibrar a chantagem dos setores empresariais que irá se abater sobre àquela casa legislativa.

Isto é, um novo ciclo de manifestações, a começar por um primeiro de maio unitário e cheio de gente, desponta na ordem do dia.

Cabe a nós, emular a ética do personagem desse dia 23 de abril e guerrear até a vitória!

 

16 de abril de 2015

Quanto mais “rua” melhor

Por Marcelo Barbosa

O fracasso – em termos – dos protestos dos setores da chamada direita, no último dia 12 de abril, pôs fim a uma conjuntura singular na recente história do Brasil.

Pode-se aprender muito com o episódio.

Durante cerca de 100 dias, o centro político foi seqüestrado, com eficiência, pela pregação dos contingentes mais reacionários (quando não abertamente fascistas) do pensamento social. Uma franja ideológica em crescimento qualitativo e quantitativo que se encontrava em hibernação desde o pré-64.

O resultado dessa ofensiva?

A formação de uma vaga autoritária a percorrer, quase por igual, todos os níveis da sociedade brasileira, inclusive o Congresso.

Ainda em plena vigência, o processo de contágio obscurantista perdeu, no entanto, impulso. De fato, a presidenta Dilma, pelo visto, agiu bem nas últimas duas semanas: “mexeu” corretamente no ministério, voltou a disputar o PMDB com a bête noire da República, Eduardo Cunha. Por fim, abriu-se ao diálogo com os movimentos sociais e o sindicalismo que, em boa hora, retornaram às ruas (ainda que de forma insuficiente).

Duas lições pairam no ar.

A primeira, para o Governo: é impossível continuar patrocinando medidas antagônicas aos interesses de sua base social, a exemplo do ajuste fiscal proposto nos termos do ministro Levy.

A outra para nós, engajados na parcela que apóia – de forma evidentemente crítica – a atual ordem: só a esquerda, sozinha, sem o aporte do centro político, não tem como sustentar esses governos cujo ciclo iniciou-se com a posse do operário de São Bernardo, em janeiro de 2003.

Marcelo Barbosa é doutor em Literatura Comparada pela UERJ e diretor-coordenador do Instituto Casa Grande (ICG)

2 de abril de 2015

No ar, a edição de MARÇO do jornal Algo a Dizer

Já está no ar a edição de MARÇO do jornal de Cultura e Política Algo a Dizer com o seguinte conteúdo:

✭ As manifestações do dia 15 de março em todo o Brasil, com sua pauta golpista, inspiraram três artigos:


1- Marcelo Barbosa aponta em seu texto, A segunda onda, que a hegemonia e a direção dessas mobilizações eram de natureza fascista;

2- Avança no mesmo sentido o artigo de Maria Luiza Franco Busse, Ponto final é o fascismo;

3- O título do artigo do desembargador aposentado do TJ-RJ, Luiz Felipe da Silva Haddad, A melhor resposta é o aprofundamento da democracia, sinaliza sua avaliação e indica sua resposta à gravidade do momento;

✮✮✮✮✮✮✮✮

4- A crítica de Marta Bonimond ao filme dos irmãos Dardenne Dois dias, uma noite;

5- O humor em forma de poesia Alcoolirismo (ensaio sobre a bebedeira), de Jorge Nagao;

6- No “Cotidiano”, de Maria Balé, o belo Olhos de caatinga;

7- A crônica de Adilson Luiz Gonçalves fala de sua experiência ao participar do C40 Cities Climate Leadership Group;

8- Afonso Guerra-Baião e sua crônica Especulando com espelhos, uma sutil crítica à mídia comercial;

9- A dura e pungente crônica de Alexandre Brandão, Dois rapazes, denuncia a intolerância homofóbica, o racismo e a igualdade de gênero enviesada;

10- Contando ninguém acredita, crônica de Cinthya Nunes que fala de supresa, de descobertas e esperança, força motriz da humanidade;

11- Trovinha miúda, saborosa crônica de Sérgio Antunes;

12- Deixa pra lá… e a crônica de Valéria Lopes É pra lá que eu vou;

13- De rerum natura, poema de Adriane Garcia, reverência ao teólogo dominicano Giordano Bruno morto na fogueira pela inquisição;

14-Antonio Barreto e seu poema em homenagem aos 100 anos do Dantas Motta, o Zúrzia;

15- Encontro, singelo soneto de Luca Barbabianca;

16- Leonel Prata e seu “miniconto infantil” O dia em que varreram a areia da praia;

17- O conto Impulso, de Vivian Pizzinga;

18- Ensaio de Leandro Konder (1936-2014), filósofo marxista brasileiro falecido no final do ano passado, Ainda tem sentido, atualmente, defender a concepção do comunismo de Marx?, do livro O marxismo na batalha das ideias (editora Expressão Popular).



Um abraço e boa leitura

Kadu Machado

(21) 99212-3103

16 de março de 2015

A Segunda Onda


O que aconteceu neste dia 15 – em São Paulo principalmente – impressiona. Podemos estar diante da segunda onda do movimento que eclodiu em junho de 2013.

Em sua primeira aparição, as manifestações mostravam, apesar da heterogeneidade, uma face progressista, pois se filiavam a movimentações como a dos Indignados, da Espanha, ao Ocuppy Wall Street, nos EUA, ou ainda à gênese do Syriza, na Grécia.


Em 2015, tudo mudou.


Os contingentes engajados no protesto não escondem sua filiação à direita. Estão mais próximos das fisionomias políticas que mostraram seus rostos nas chamadas Revoluções Coloridas do Leste Europeu ou ainda nas jornadas da oposição golpista, na Venezuela.


O que aconteceu hoje marca apenas o início de uma escalada. Quem está em perigo, a partir desse sinistro dia 15 – mais que o atual governo – são as instituições democráticas no país.


Nas pistas da Avenida Paulista marcharam homens e mulheres ausentes de qualquer apreço pelos poderes da República, sejam o executivo, o judiciário ou o legislativo. Uma gente autoritária que não hesitou em seqüestrar o hino, a bandeira e as cores pertencentes a todos os brasileiros.


Esta espiral de intolerância só pode ser detida pela ampla unidade de todas as correntes democráticas do país. Que a oposição não incorra no mesmo erro de personalidades como Carlos Lacerda e Ademar de Barros, políticos engajados na urdidura do golpe de 1964, posteriormente tragados pelo movimento ao qual pretenderam dar direção.


Não se enganem os brasileiros. O espectro que ronda a atual crise é o do fascismo.


Marcelo Barbosa
Advogado, doutor em Literatura Comparada pela UERJ e diretor-coordenador do Instituto Casa Grande

7 de março de 2015

No ar, a edição de FEVEREIRO do jornal Algo a Dizer

Já está no ar a edição de FEVEREIRO do jornal de Cultura e Política Algo a Dizer com o seguinte conteúdo:
1- Entrevista com a premiada cantora de samba Dorina – por Áurea Alves – que fala de sua vida artística e de seu oitavo trabalho, um álbum dedicado a composições do grande Luiz Carlos da Vila;

2- Marta Perez faz a crítica da peça Cine Monstro, dirigida por Enrique Diaz: “Disfarçado de cômico, o Cine Monstro é um tapanacara.”;

3- O humor refinado de Jorge Nagao em Ecoinfratores.

4- No "Cotidiano" de Maria Balé, uma dolorosa ocorrência pessoal em O amor é uma criança.

5- Adilson Luiz Gonçalves com sua crônica Ainda, Casa Grande e Senzala;

6- Preciso escrever uma crônica, texto crítico e mordaz de Alexandre Brandão;

7- A crônica moral de Cinthya Nunes Crime e castigo;

8- A deliciosa crônica Inventos e desinventos, de Sérgio Antunes;

9- Naquele janeiro, crônica introspectiva de Valéria Lopes;

10- O delicado poema Ritornelo, de Afonso Guerra-Baião;

11- A homenagem à água, no forte poema de Antonio Barreto Afogábilia;

12- O soneto de Luca Barbabianca Mídia e a manipulação que promove na visão de Noam Chomsky;

13- O Diálogo, conto sempre interessante de Vivian Pizzinga;

14- No ensaio Os Demônios: Dostoiéski, Carlos Russo Jr. faz uma análise desse romance do grande mestre russo

→ Mas dê também uma olhada nas fotos e vídeo do bloco carnavalesco Devassos da Cardeal, no evento no Facebook.









Um abraço e boa leitura

Kadu Machado

(21) 99212-3103

28 de janeiro de 2015

No ar, a edição de JANEIRO do jornal Algo a Dizer


Já está no ar a edição de JANEIRO do jornal de Cultura e Política Algo a Dizer com o seguinte conteúdo:
1- “Coisas que aprendi no ato de solidariedade ao Charlie Hebdo, no Casa Grande”, de Marcelo Barbosa, diretor-coordenador do Instituto Casa Grande (ICG).

Esse texto é uma réplica às críticas que recebemos por haver realizado, no Teatro Casa Grande, dia 14/1, ato em repúdio ao atentado contra o jornal satírico francês.

Ao final, publicamos, também, as respostas que essa nota recebeu;

2- O crescimento da extrema-direita e a racificação das relações sociais em diversos países é o tema do artigo do professor da UFF Jonuel Gonçalves;

3- O economista Adriano Benayon expõe suas opinioes sobre o assedio expõe as razões do assédio do imperialismo e dos predadores internos – verdadeiro golpe – à Petrobras, empresa orgulho dos brasileiros;

4- Adilson Luiz Gonçalves comenta sobre o que é ser nacionalista no Brasil de hoje;

5- Antonio Barreto proseia sobre os bares e restaurantes da boêmia de Belo Horizonte e sobre a gastronomia mineira que se tornou enredo da Escola de Samba Salgueiro este ano, no Rio;

6- O humor de Jorge Nagao sobre a chegada do novo ano de 2015;

7- No País da Luz Eterna, novo texto do “Cotidiano”, de Maria Balé;

8- Afonso Guerra-Baião fala das origens mitológicas do mês de janeiro e das esperanças que suscita;

9- A paixão de Cinthya Nunes pelos jardins é o tema de sua crônica;

10- Sergio Antunes discorre sobre o primeiro dia do ano de 2015;


12- A poesia de Marcílio Godoi ana e o vestido;

13- Homenagem a Florbela Espanca no soneto de Luca Barbabianca;

14- Câncer de pele, conto de Vívian Pizzinga;

15- No belo e percuciente texto Um filósofo democrático, o cientista político Carlos Nelson Coutinho, falecido em 2012, presta uma homenagem a seu amigo e camarada Leandro Konder.

Com essa publicação, o Algo a Dizer contribui para mais um tributo a esse grande teórico e publicista que nos deixou em 12 de novembro do ano passado.

Um abraço e boa leitura!

Kadu Machado

(21) 99212-3103

23 de janeiro de 2015

Coisas que aprendi no ato de solidariedade ao Charlie Hebdo, no Casa Grande

Por Marcelo Barbosa, diretor-coordenador do Instituto Casa Grande (ICG)
Logo de cara, vou dizendo: não veio da minha cabeça a idéia de realizar o ato de repúdio ao atentado do Charlie Hebdo – evento realizado na última quarta, 14/1, no Casa Grande. Quem bolou a atividade foi o Saturnino Braga, acolitado pelo Moysés Achenblatt e o Kadu. Por estar viajando, praticamente soube da programação no dia. Caso tivesse sido consultado previamente, talvez votasse contra ou, no limite, defendesse um outro formato para a discussão.
E, sinceramente, estaria comentando um grande erro.
Na realidade, a mesa redonda composta pelos humoristas Jaguar, Marcelo Madureira, Ziraldo e Miguel Paiva (com a presença do cônsul-geral da França no Rio) travou um debate – não dá para economizar no adjetivo – memorável. Uma coisa no limite da rispidez, com uma platéia dividida, de nervos à flor da pele. Não fosse a habilidade de nosso senador Saturnino, na condução da conversa, faltaria pouco para a turma sair tapa.
Não podia ser diferente. O massacre de Paris machucou a consciência do mundo inteiro, criou perplexidade, e até o momento ninguém sabe o lado certo onde e a quem tributar a solidariedade.
Por isso respeito muito os companheiros que compareceram ao Teatro naquela tarde. Eles foram corajosos ao extremo. Minha consideração vai tanto para a turma do “je suis Charlie” quanto para a galera do “não sou Charlie nem que a vaca tussa”.
Agora, não tenho nenhuma consideração por aqueles que ficaram intrigando pelos cantos, fazendo fofoca pelas redes sociais. Uns caras que tiveram a cara de a pau de insinuar que o Instituto Casa Grande (ICG) tinha passado para o lado da direita, do sionismo, ou de qualquer instância do mal que a mente paranóica dessa gente pudesse conceber.
Alto lá companheirada, estamos do mesmo lado!
A coisa ficou confusa... vamos ser mais solidários entre nós mesmos...
Não quero ser dono da verdade, mas no meio de tanta incerteza há algumas posições, assim julgo, merecedoras de defesa. E que refletem divergências com o grupo que fugiu do debate. Digo isso no meu nome pessoal. A diretoria do ICG não precisa – e nem deve – endossar este ponto de vista.
De início, devo confessar a minha incapacidade de enxergar o jihadismo na condição de resposta equivocada dos “oprimidos” (sic) ao domínio militar e político das grandes potências (Estados Unidos, à frente) sobre a geopolítica do Oriente Médio, Norte da África e Eurásia.
A Al Qaeda???
Os filhotes de Bin Landen et caterva constituem, na verdade, criaturas de estufa geradas no laboratório do departamento de Estado dos EUA. Pertencem a uma engenharia genética concebida para pôr fim aos movimentos democráticos e de esquerda em ascensão no mundo islâmico até a década de 1980. O grande laboratório dessa praga, hoje se sabe, foi a guerra do Afeganistão. Naquele canto da Ásia Central inaugurou-se – sob o patrocínio da CIA – a política de apoio ao Taliban. Sob o pretexto de combater o “Império do Mal” Soviético, jorrou dinheiro e armamento para os mujahidin. O problema, hoje em dia, é que a criatura saiu do controle do criador e exibe uma agenda própria. Virou um espantalho que, oportunamente, deve ser exibido pelos países da coalizão da Otan e de Israel para justificar a política de “guerra ao terror”.
Outra questão diz respeito à liberdade de expressão.
Contrariamente ao senso geral vigente entre as pessoas de esquerda, considero esse um direito e garantia individual – especialmente no que toca ao trabalho da imprensa – um princípio a ser exercitado de forma quase irrestrita. A má-fé eventual, o mau gosto e o excesso, por certo, existem. Porém, devem ser limitados pela lei. E apenas pela lei.
Por mais respeito que se possa nutrir pelas religiões, o direito de opinião não pode ser regulado pela Bíblia, o Alcorão ou a Torah, ou qualquer outra grande narrativa confessional. Pelo menos nunca em uma sociedade democrática na qual o Estado já se separou da religião.
Da mesma maneira, não se deveria aceitar a censura sobre o trabalho dos humoristas. A crítica promovida por esses artistas cumpre uma inestimável função social importante. Mesmo quando irresponsável e anárquica. A justiça está aí para definir quando a piada atravessa a fronteira da irreverência para penetrar no terreno da discriminação. Gays, nordestinos ou negros – entre outros setores oprimidos – têm todo os direito de se sentirem discriminados pelo tipo de comédia encenada por um babaca como o Danilo Gentilli. Mesmo assim, ninguém vai defender que a gente crie um comando para invadir os estúdios da TV e esvaziar um pente de AK-47 na cabeça desse infeliz...
A última “queixa”, digamos assim, chega a ser engraçada. Fomos acusados de “elitistas” por promover um ato de solidariedade à França, um país rico. O que os nossos críticos não sabem é que a realidade comprova o oposto. Em seus quase cinqüenta anos de existência, o Casa Grande se distinguiu, entre outras facetas, pela realização de palestras, debates e discussões em defesa dos povos de todo o chamado Terceiro Mundo, incluindo a África e a nossa tão sofrida América Latina. A paz no Oriente Médio e o direito à criação de um Estado Palestino jamais foram esquecidos.
Diante de uma trajetória tão marcada pelo apoio às populações oprimidas, o ato do dia 14/1 constituiu uma exceção apenas aparente: não prestamos nossos respeitos ao governo Francês, que promoveu a lamentável passeata de terroristas de Estado, no Champs Elisée, com Cameron e Netanyahu, à frente; prestamos solidariedade, isto sim, ao povo da França. Ao povo que, com sua criatividade e engenho, deu ao mundo o romance de Victor Hugo e Balzac, o cinema de Truffaut e Goddard, o pensamento crítico de Sartre e Beauvoir, entre outras contribuições.
Mais que tudo, nossa solidariedade vai para o povo que criou, nas jornadas de 1789, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que consagra como o primeiro dos direitos, o direito à vida.